domingo, novembro 23, 2008

A igreja (publicamente) rendida ao capitalismo


No passado dia 15 de Novembro foi inaugurada com toda a pompa e circunstancia a iluminação Natalícia de toda a cidade de Almada. Até ai tudo normal, tudo muito giro, tudo muito contemporânea, tendo-se deixado de lado (felizmente) as típicas iluminações com os sinos, pai natal, renas, e outros afins!
Nesse mesmo fim de tarde, quase noite, estava eu a atravessar a ponte 25 de Abril no sentido Lisboa – Almada, quando me deparo, com o maior símbolo da minha querida cidade, iluminado, com 4 anjos (até ai tudo normal), e 2 gigantes logótipos da…..Samsung!
Logo pensei, como é que é possível…até a igreja se rendeu ao capitalismo ou melhor, a igreja sempre se rendeu ao capitalismo, agora é que perdeu o pudor, de o assumir.
Já estou a ver a dita empresa patrocinadora da vestimenta “natilica” do Cristo, a fazer um spot publicitário, a acabar, dizendo, “os nossos produtos, são abençoados por Cristo”.
Não sou católico, nem de nenhuma outra qualquer religião, a minha crença é em algo superior, numa força (pelo menos é assim que lhe chamo), que ninguém há-de conseguir explicar, ver ou ouvir, apenas sentir, esta é a minha fé. Porém caso fosse católico, não iria achar grande piada ás 7 letras que iluminam os pés da referida estatua, que certamente tem grande importância para, os católicos Almadenses, Lisboetas, Portugueses e Estrangeiros!
Confesso que como cidadão Almadense sinto orgulho por aquela estátua estar na “minha” cidade e todos a reconhecemos como símbolo da cidade, sendo ou não cristãos, e assim sendo, vejo-me na obrigatoriedade de passar um cartão vermelho a duas instituições gestores do Monumento, a Diocese de Setúbal e a Câmara Municipal de Almada!
Depois disto já estou a ver, as igrejas a adoptarem, as mesmas politicas dos clubes de futebol, que por troca de alguns milhões deram nomes comerciais ás suas academias (Academia Puma ou Caixa Campus), e bancadas nos seus estádios. Em vez de termos a Igreja de Almada teríamos a Igreja Almada Sony Ericsson, ou Igreja de Setúbal TMN, ou ainda Santuário de Fátima Portugal Telecom. Está publicamente aberto o precedente.

2 comentários:

Faleiro disse...

Como dizes e muito bem, a igreja sempre se vendeu ao capitalismos... Está aí a origem do Luteranismo, os protestantes. Aqueles sempre lutaram contra o luxo e a opulência da igreja de Roma.
Não sou apologista de enfeites de Natal sob a forma de publicidade. No ano passado, a Av. da Liberdade tinha símbolos do Santander por tudo quanto era canto, árvore ou candeeiro...
A árvore de Natal da autarquia de Lisboa era patrocinada pelo Millenium BCP, agora é a árvore ZON!

Muitos exemplos...

...em tempos de crise!

Estranho sabermos que o Natal se tornou num negócio, não só para os comerciantes, como também numa forma de promoção de produtos através de publicidade a nível religioso. Chamar-lhe-ão Marketing, eu chamarei "Novas-Oportunidades" de poupança por parte das autarquias.
Afinal, aqueles que mais criticarão as câmaras municipais e juntas de freguesias pelos gastos anuais não dispensam iluminações de Natal.


Bom texto!
Forte abraço.

I disse...

Esta tenho que comentar. Se me visitares descobres porquê. ;)